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O cowboy Lucky Luke escolta família judia pelo coração do Velho Oeste, em A Terra Prometida, numa divertida aventura que supera preconceitos

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Escrito por PH
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dfddfdfdAo ter contato com o novo álbum de Lucky Luke, A Terra Prometida, não pude evitar de traçar um paralelo entre essa HQ de Jul (roteiro) e Achdé (desenhos) e As loucas Aventuras do Rabbi Jacob, protagonizado por Louis de Funès. Nesse sucesso do cinema francês de 1973, um cara cheio de preconceitos contra estrangeiros se vê sequestrado de maneira inesperada e é obrigado a se passar por um rabino, frente à comunidade judaica de Nova York, para salvar a pele.

A história dessa comédia de Funès e o novo quadrinho de Lucky Luke não apresentam obviamente a mesma história, mas evidenciam a desconfiança e estranheza da maioria das pessoas em relação a outras culturas e povos que elas desconhecem, sobretudo os israelitas, grupo que está espalhado por todo o planeta.

Aproveitando o fato do cowboy que atira mais rápido do que a própria sombra já ter encontrado gente de todos os tipos, lugares e países, mas nunca ter sido confrontado ao povo judeu, como Jul afirma em vídeo da Leya, empresa portuguesa que controla as Edições ASA, a premissa para a nova aventura de Lucky Luke havia se delineado.

Inserir judeus num argumento de Lucky Luke é uma forma louvável de reparar uma imensa injustiça contra a cultura semita, tão incompreendida e perseguida injustamente ao longo da história da humanidade. São seres humanos que encontraram o auge de violência e opressão contra eles, por ocasião do Holocausto, o extermínio sistemático de aproximadamente seis milhões de judeus pela Alemanha Nazista e seus aliados, durante a Segunda Guerra Mundial.

Por incrível que pareça, o criador do herói, Morris, nunca havia idealizado uma narrativa em que o cowboy solitário e longe de casa encontrasse nossos amigos da antiga Tribo de Judá.

Pois foi exatamente isso o que ele fez nessa trama muito bem bolada, em que um azarado amigo de Lucky Luke, Jack Malapata, ocupado com a condução de 4.000 cabeças de gado, pede a ele que escolte seus parentes judeus asquenazes da Europa do Leste que estão vindo para os Estados Unidos. Nessa época, por volta de 1869, era comum que famílias judias se mudassem para a América, fugindo de perseguições. Como se tratava de um movimento recente, naqueles tempos, os americanos tinham pouco conhecimento sobre os costumes e aparência dos integrantes dessa nova vaga imigratória que se instalava em seu país.

Assim que  a localiza, após passar por uma travessia marítima intercontinental e outra fluvial, Lucky Luke terá então que acompanhar a família Stern, constituída por Moishé, um avozinho fanático pelo Shabat (nome dado ao dia de descanso semanal no judaísmo), sua esposa Rachel, que não hesita em tentar alimentar Lucky Luke com peixe, sua neta Hanna, garota tímida à procura de um bom partido e o neto Yankel, um jovem arteiro que está prestes a passar por sua BarMitzvá (cerimônia que insere o jovem na comunidade judaica). Eles falam ídiche, mas se viram no inglês.

Em meio a piadas hilárias, inteligentes e bem sacadas no melhor estilo de Goscinny, que podem se referir até mesmo a figuras atuais e a cidades fictícias dos comics, como Bill Gates, Harry Porter ou Gotham City, Lucky Luke e seus amigos superarão um tremendo choque cultural que fará com que jamais esqueçam seu inusitado encontro no coração do Velho Oeste, uma divertida viagem destinada a romper com a intolerância e a ignorância.

Apesar de ser publicação nova, temos a impressão de estarmos lendo uma BD exatamente igual à antigas da franquia, em termos de visual, o que reflete o enorme esforço dos novos desenhistas franco-belgas encarregados de séries clássicas em não alterar seu estilo original.

Leitura aprovada!

Por PH.

Lucky-Luke

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Sobre o Autor

PH

É ex-locutor do TOP TV da Record e radialista. Também produz a série Caçador de Coleções e coleciona HQs europeias, nacionais e quadrinhos underground

2 Comentários

  • PH, quando a relação de ‘países irmãos’ irá se concretizar para vermos esses álbuns editados em Portugal trazidos e vendidos no Brasil?

    • Fica muto caro, trazer álbuns de Portugal! Chegam aqui a quase 100 reais. Não vejo solução para isso! Tem que ser editado aqui! Infelizmente, parece que a iniciativa da Zarabatana Books em publicar o heróis no Brasil não tem dado muito certo!

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